Após um procedimento de revascularização miocárdica o transplante renal deve ser adiado por um período apropriado após a colocação de stent coronariano, conforme recomendado pelo cardiologista do paciente, sendo que a duração típica da terapia antiplaquetária dupla (TAPD) é de 1 a 6 meses, dependendo do tipo de stent e do perfil de risco individual.
## Quais as recomendações das diretrizes?
**KDIGO 2020**
O KDIGO 2020 recomenda que candidatos que tiveram infarto agudo do miocárdio sejam avaliados por cardiologista para determinar se testes adicionais são necessários e quando podem prosseguir com segurança para o transplante renal. Especificamente, o transplante deve ser adiado por um tempo apropriado após a colocação de stent coronariano conforme recomendação do cardiologista.
**American Heart Association 2022**
A American Heart Association 2022 estabelece que o transplante renal deve ser adiado para permitir duração suficiente de TAPD, dependendo do tipo de stent e do perfil de risco individualizado do paciente.
Stents farmacológicos de nova geração (eluídos com everolimus ou zotarolimus) são superiores aos de primeira geração, com menor risco de trombose e reestenose.
Na população geral, TAPD de curta duração (1-6 meses) após stents de nova geração demonstrou ser segura e eficaz.
## Quais são os critérios para inscrição na lista
Pacientes assintomáticos com doença coronariana que foi completamente revascularizada, que estão estáveis por ≥6 meses em terapia médica otimizada e que têm fração de ejeção preservada (≥40%), muito provavelmente podem progredir para a lista de espera sem testes adicionais.
Nesse momento, uma conversa com cardiologista/hemodinamicista assistente pode fazer muita direrença!
## Manejo durante o período de espera
Durante o período de espera, devem ser mantidos aspirina, betabloqueadores e estatinas conforme diretrizes cardiológicas e risco cardiovascular. Pacientes com história de infarto devem ser tratados com betabloqueador.
## Considerações práticas
A decisão sobre o momento exato deve ser individualizada em discussão entre a equipe de transplante e cardiologia/hemodinamicista, considerando o tipo de stent utilizado, a extensão da doença coronariana, a função ventricular esquerda e o risco de trombose do stent versus o benefício do transplante.
## Referência
Emerging Evidence on Coronary Heart Disease Screening in Kidney and Liver Transplant Candidates. Circulation 2022.
[[link](https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001104)]