> **Referência**: Barreto J et al. DARE-ESKD-2 Trial. Kidney International Reports, 2026 \[**[link](https://www.kireports.org/action/showPdf?pii=S2468-0249%2826%2902586-6)**]
Os iSGLT2 revolucionaram o tratamento da DRC. Mas a grande dúvida sempre foi:
👉 Existe benefício quando o paciente já está em diálise?
O DARE-ESKD-2 é o primeiro RCT desenhado para responder isso.
***
## **DESENHO DO ESTUDO**
Tipo:
RCT multicêntrico, aberto
População:
* 80 pacientes em diálise crônica
* Idade média: 56 anos
* 85% em hemodiálise
* 68% com insuficiência cardíaca
Intervenção:
* Dapagliflozina 10 mg/dia vs. Tratamento padrão
Follow-up: 24 semanas
Desfecho primário:
👉 Variação do NT-proBNP
***
## **RESULTADO PRINCIPAL**
**Mudança no NT-proBNP**: Controle (+13 pg/mL) vs. (−109 pg/mL) Dapagliflozina:
**Diferença entre grupos**: 👉 NÃO significativa p = 0,065
***
## **DESFECHOS SECUNDÁRIOS**
Nenhum benefício significativo:
* Qualidade de vida (KCCQ) Diferença: +7 pontos (p = 0,073)
* Não significativo
***
Capacidade funcional
* Teste caminhada 6 min: Diferença: −1 metro (p = 0,956)
* Sem benefício
***
Ecocardiografia
Sem melhora em:
* FEVE
* Strain
* Massa ventricular
* Função diastólica
***
## **SEGURANÇA**
👉 Dapagliflozina foi segura
Não houve aumento de:
* morte
* hospitalização
* cetoacidose
* desidratação
***
INTERPRETAÇÃO FISIOLÓGICA
Este é o ponto mais importante do estudo. Os mecanismos principais dos iSGLT2i dependem:
* natriurese
* glicosúria
* diurese osmótica
Todos ausentes na anúria.
**Resultado**:
👉 Perda do principal destes mecanismos de benefício, já que o paciente em diálise tem redução importante da diurese!
***
# **CONCLUSÃO DO ESTUDO**
Dapagliflozina foi seguda, porém…
❌ Não melhorou:
* NT-proBNP
* sintomas
* capacidade funcional
* estrutura cardíaca
***
## **IMPLICAÇÃO CLÍNICA DIRETA**
Este estudo muda a prática.
Hoje:
👉 Não há evidência para iniciar os iSGLT2 em pacientes já em diálise para prevenir insuficiência cardíaca
***
## 🚨 **PONTO MAIS IMPORTANTE DO ARTIGO**
iSGLT2i são extraordinários na DRC. Mas seu benefício provavelmente termina quando o paciente entra em diálise.
Este é um estudo histórico.
Pela primeira vez, um RCT testou SGLT2i em diálise.
E o resultado foi claro:
O benefício não se estende ao paciente dialítico.
Talvez a pergunta mais importante agora seja:
**Será que no paciente com insuficiência cardiaca com FE reduzida os iSGLT2 podem mostrar benefício cardiovascular? ou já é tarde demais quando o paciente entra em diálise?**