O artigo “Does This Patient Have Volume Overload?” (Drum et al., JAMA 2026 **[link](https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2845382)**) avaliou mais de 11.000 pacientes para responder:
## 👉 **Qual exame realmente muda minha probabilidade de sobrecarga volêmica?**
Eles analisaram exame físico, RX, POCUS e BNP usando razões de verossimilhança (RV).
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Figura 1. Sobrecarga intravascular
###  Fisiopatologia da sobrecarga volêmica intravascular
A redução do débito cardíaco leva ao subpreenchimento arterial e à diminuição do volume circulante efetivo. Esse processo ativa os barorreceptores e o sistema nervoso simpático, promovendo vasoconstrição periférica e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Como consequência, ocorre retenção renal de sódio e água, expansão do volume plasmático e aumento das pressões de enchimento cardíaco. Clinicamente, isso se manifesta por distensão da pressão venosa jugular (PVJ), congestão pulmonar, dilatação da veia cava inferior, mobilização do reservatório venoso esplâncnico e edema periférico com cacifo.
## 📌 **O que realmente aumenta a probabilidade de congestão?**
1️⃣ **BNP ≥ 100 pg/mL → Melhor teste isolado**
* RV+ 6,9
* Especificidade 87%
É o exame isolado que mais aumenta a chance de sobrecarga volêmica.
🔎 Se o BNP está ≥100, a probabilidade sobe bastante. Entender que este número pode estar elevado em pacientes com DRC, então não pode ser usado isoladamente
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2️⃣ **Congestão vascular no RX de tórax**
* RV+ 5,9
* Especificidade 91%
RX mostrando congestão intersticial ou peribrônquica aumenta significativamente a probabilidade de volume excessivo.
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3️⃣ **Linhas B bilaterais no POCUS pulmonar**
* RV+ 4,0
* Sensibilidade 93%
* RV- 0,09
Esse é um ponto extremamente relevante:
👉 Ausência de linhas B praticamente exclui sobrecarga volêmica.
Uma RV- de 0,09 é muito forte para descartar.
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4️⃣ **VCI pouco colapsável (\<50%)**
* RV+ 3,9
* RV- 0,22
Ajuda, mas tem desempenho inferior ao BNP e ao pulmão no POCUS.
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5️⃣ **PVJ (pressão venosa jugular) ao exame físico**
• RV+ 4,1
• Sensibilidade baixa (35%)
Quando está elevada, ajuda.
Mas perde muitos casos.
 **Figura 2.** Imagens de ultrassom para determinar status volêmico
A, Linhas B hiperecogênicas estendem-se perpendicularmente e profundamente a partir da pleura na janela pulmonar anterior. O painel superior mostra o posicionamento do transdutor.
B, Vista em corte transversal da veia jugular interna. O painel superior mostra o posicionamento do transdutor.
C, Vista longitudinal da veia cava inferior na janela subxifoide, com aplicação do modo M a 2 cm do átrio direito para avaliar a variação respiratória. O painel superior mostra o posicionamento do transdutor.
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6️⃣ **Edema periférico**
* RV+ 2,2
Contribui pouco isoladamente. Muito inespecífico.
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## 📊 **Hierarquia prática**
🔝 **Melhor para CONFIRMAR congestão**
1. BNP ≥100
2. RX com congestão
3. Linhas B bilaterais
4. VCI pouco colapsável
5. PVJ elevada
6. Edema
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🔝 **Melhor para EXCLUIR congestão**
1\. Ausência de linhas B (melhor exame isolado para descartar)
2\. BNP \<100
3\. VCI com colapso ≥50%
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## 🎯 **O que isso muda no dia a dia?**
• Exame físico isolado não exclui congestão.
• POCUS pulmonar é superior ao estetoscópio.
• BNP continua sendo extremamente útil.
• Edema isolado não decide conduta.
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## 💡 **Aplicação prática em nefrologia**
Isso é muito relevante para:
* IRA em fase de recuperação da diurese
* Síndrome cardiorrenal
* Ajuste de peso seco na diálise
* Paciente com DRC avançada e dispneia
👉 Ausência de linhas B pode evitar a necessidade de uma diurese excessiva.
👉 BNP ajuda a confirmar quando a dúvida persiste.