### Pergunta Clínica
Podemos usar achados simples de dipstick urinário (leucócito esterase e nitrito) para prever risco de ITU e isso deveria influenciar o uso de inibidores do SGLT2 (iSGLT2)?
### Desenho do Estudo
* **Análise:** Post hoc dos estudos CANVAS + CREDENCE
* **Pacientes:** 8.614 pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2)
* **Seguimento médio:** 2.8–3.5 anos
* **Exposição:** Canagliflozina vs. placebo
* **Avaliação:** Dipstick urinário basal (leucócito esterase - LE e nitrito)
* **Desfechos:**
* Primário: Primeira Infecção do Trato Urinário (ITU)
* Secundário: ITUs totais
### Principais Resultados
1. **Dipstick prediz risco de ITU:**
* LE positivo apresentou aumento progressivo do risco:
* 1+: Hazard Ratio (HR) ~1.7
* 2+: HR ~1.9
* 3+: HR ~2.7
* Nitrito positivo: HR ~2.3
* Relação independente e consistente.
2. **iSGLT2 NÃO aumentam o risco de ITU:**
* Primeira ITU: HR 1.06 (Não Significativo - NS)
* ITUs totais: HR 1.01 (NS)
* Resultado robusto em múltiplos modelos.
3. **Aprendizado relevante:**
* O resultado do exame de fita não modificou o efeito da canagliflozina.
* Mesmo com LE/nitrito positivo, não houve aumento adicional de risco com o uso do iSGLT2.
4. **Aprendizado fisiopatológico:**
* LE indica inflamação (piúria), associada a risco progressivo.
* Nitrito sugere bacteriúria.
* Possível papel protetor dos iSGLT2:
* Aumento do fluxo urinário.
* Aumento da uromodulina (efeito antiaderência bacteriana).
### Interpretação Clínica
* O dipstick identifica pacientes com maior risco de ITU.
* **MAS**, não identifica pacientes que devem evitar o uso de iSGLT2.
* Risco basal elevado não significa risco induzido pelo iSGLT2.
### Implicações Práticas
* **O que fazer:**
* Usar o dipstick para estratificar o risco de ITU.
* Monitorar pacientes com LE/nitrito positivo.
* Reforçar medidas preventivas de ITU.
* **O que NÃO fazer:**
* Suspender ou evitar iSGLT2 apenas por:
* Piúria.
* Bacteriúria assintomática.
### Opinião do NefroUpdates
* O dipstick é uma ferramenta subutilizada.
* LE tem relação dose-efeito, sendo potencialmente mais útil que o nitrito.
* ITU não é uma contraindicação automática para o uso de iSGLT2.
* Maior risco basal não implica em risco modificável pelo fármaco.
Logo...
Um dipstick positivo indica um paciente com maior risco de ITU, mas o uso de iSGLT2 não aumenta esse risco adicionalmente. Portanto, não se deve negar o tratamento com iSGLT2 com base apenas em achados de dipstick.
## Referência
Urinary dipstick findings and UTI risk with SGLT2 inhibitors: a post hoc analysis of the CANVAS and CREDENCE trials. NDT 2026. [[link](https://academic.oup.com/ndt/advance-article/doi/10.1093/ndt/gfag062/8524803?searchresult=1)]