## **1) Qual a importância desse tema?**
O diabetes pós-transplante (DMPT) segue como uma das principais complicações metabólicas após o transplante renal, e a síndrome metabólica é extremamente prevalente nesse cenário. Este estudo (**[link](https://journals.lww.com/kidney360/fulltext/2025/07000/association_between_post_transplant_vitamin_d,.16.aspx)**) sugere que a deficiência de 25(OH)vitamina D pode potencializar o risco de DMPT, principalmente em quem tem maior carga de síndrome metabólica.
## **2) População (bem selecionada!)**
Coorte retrospectiva (St. Michael’s Hospital, Toronto), com 1792 transplantados renais entre 1998–2018, sem diabetes tratado no transplante e sem diabetes tratado no momento da dosagem de vitamina D.
A 25(OH)vitamina D foi medida a partir de 3 meses pós-transplante.
## **3) O que foi avaliado?**
1. Exposição principal: 25(OH)vitamina D (quartis/mediana)
2. Síndrome metabólica: critérios NCEP-ATP-III (≥3 de 5)
3. Desfecho primário: incidência de DMPT tratado (uso de hipoglicemiantes/insulina)
## **4) Resultados principais (o que chamou atenção)**
📌 Nos pacientes com síndrome metabólica, níveis mais altos de vitamina D se associaram a menor incidência de DMPT:
* Vitamina D mais alta (4º quartil): 1,5 casos/100 pacientes-ano
* Vitamina D mais baixa (1º quartil): 4,2 casos/100 pacientes-ano (P \< 0,001)
📌 A incidência de DMPT aumentou conforme a carga de síndrome metabólica:
de 1,0/100 pacientes-ano (0 critérios) para 7,4/100 pacientes-ano (5 critérios).
📌 Mesmo ajustando para glicemia de jejum e hemoglobina glicada, a vitamina D permaneceu associada a menor risco:
HR 0,93 a cada +10 nmol/L de 25(OH)vitamina D (P=0,007).
➡️ **Ou seja**: vitamina D parece “modular” o risco metabólico, especialmente quando o paciente já tem síndrome metabólica.
## **5) Interpretação prática**
🧠 Ponto clínico-chave: a vitamina D não apareceu como “milagre”, mas como fator modificador em um grupo de alto risco.
📍 Quem pode se beneficiar mais de rastreio e correção?
Transplantado com:
* síndrome metabólica (ou muitos componentes)
* obesidade central / dislipidemia
* glicemia de jejum alterada
* maior risco de DMPT
💡 O estudo sugere que em pacientes com alta carga de síndrome metabólica, considerar suplementação de vitamina D pode ser razoável como parte de uma estratégia preventiva.
## **6) Limitações importantes de lembrar…**
* Estudo retrospectivo → não prova causalidade
* Dosagem de vitamina D foi em um único ponto pós-transplante
* Possível viés: muitos pacientes dosaram vitamina D anos após o transplante (tempo médio \~2,8 anos)
* Não avaliou com precisão quem já estava suplementando no momento da dosagem
## **7) Aprendizado**:
Em transplantados renais sem diabetes tratado/diagnosticado, baixos nísveis de vitamina D se associoaram com um maior risco de diabetes pós-transplante, e esse risco foi **muito mais forte quanto maior a carga de síndrome metabólica** — reforçando a vitamina D como alvo potencialmente modificável em pacientes de alto risco.