## Vamos mostrar o porque desse tema ser tão importante!
O** KDIGO desde de 2024 reforça uma mudança de paradigma**: é possível e desejável reduzir a exposição cumulativa aos glicocorticoides na nefrite lúpica proliferativa (classes III/IV), desde que haja resposta clínica renal e extrarrenal adequada, após pulsoterapia inicial com metilprednisolona
O foco deixa de ser “dose alta por segurança” e passa a ser controle inflamatório eficaz com menor toxicidade.
Regimes de corticoide em dose reduzida, após pulsos curtos de metilprednisolona, podem ser utilizados quando há resposta satisfatória renal e sistêmica.
Isso exige individualização, não um esquema fixo para todos.
## **COMO ESCOLHER O REGIME DE DESMAME NA PRÁTICA**
1️⃣ AVALIE A GRAVIDADE INICIAL
Antes de escolher o regime, responda:
* Proteinúria >3–4 g/d?
* Crescente celular difuso?
* Queda rápida de TFGe?
* Atividade extrarrenal importante (SNC, hematológica, vasculite)?
👉 Quanto maior a atividade inicial, mais cauteloso deve ser o desmame.
## **📉 REGIMES DE CORTICOIDE – COMO USAR NA VIDA REAL**
### **1-Regime com dose REDUZIDA (preferencial quando possível)**
**Indicação prática**:
* Resposta precoce (queda de proteinúria, estabilização da creatinina)
* Ausência de manifestações extrarrenais graves
* Terapia de base potente (MMF + belimumabe ou MMF + ICN)
**Esquema típico**:
Metilprednisolona EV 0,25–0,5 g/d por 3 dias
Prednisona VO:
* Semana 1–2: 0,5 mg/kg/d (máx. 40 mg)
**Redução progressiva até**:
* 10 mg em 6–8 semanas
* ≤5 mg em 12 semanas
* \<2,5 mg ou suspensão até 6 meses
🟢 Esse é o regime que a KDIGO estimula sempre que possível.
### **2-Regime com dose MODERADA**
**Indicação prática**:
* Atividade renal significativa
* Resposta inicial ainda parcial
* Componente extrarrenal moderado
**Esquema**:
* Pulsos EV (0,25–0,5 g por 3 dias)
**Prednisona**:
* 0,6–0,7 mg/kg/d (máx. 50 mg)
* Redução gradual para 7,5–10 mg em 12–16 semanas
### 3-**Regime com dose ALTA (exceção, não regra)**
**Indicação restrita**:
* Crescente difuso
* Rápida perda de função renal
* Manifestações sistêmicas graves
➡️ Mesmo nesses casos, a KDIGO recomenda descer rápido, evitando manutenção prolongada de doses altas.
Figura 1. Exemsplos de regime de corticoides para utilizar no tratamento da Nefrite Lúpica
## **🔍 COMO MONITORAR SE O DESMAME ESTÁ “SEGURO”**
Avaliar a cada 4–6 semanas:
* Proteinúria (RPC ou 24h)
* Creatinina / TFGe
* Complemento (C3/C4)
* Anti-DNAds
* Clínica extrarrenal
⚠️ **Sinal de alerta**:
Proteinúria estacionada ou em platô
Reativação serológica isolada ≠ falha (não subir corticoide automaticamente)
## **DECISÃO PRÁTICA À BEIRA DO LEITO**
Se o paciente está melhorando com imunossupressão adequada de base, o corticoide não deve ser entendido como imunonossupressõr maus importante ou protagonista.
* Boa resposta → desmame acelerado
* Resposta parcial → segurar dose baixa, não voltar a dose alta
* Recaída verdadeira → ajuste do imunossupressor, não “resgate esteroidal” isolado
## **📌 Opinião do NefroAtual**
O KDIGO 2024 legitima o uso de esquemas reduzidos de corticoide
Pulsoterapia curta + desmame rápido e individualizado é o novo padrão
O sucesso depende mais do imunossupressor de base do que da dose de prednisona
Menos corticoide = menos dano cumulativo, sem perda de eficácia quando bem indicado
> **Referência**: KDIGO 2024 CLINICAL PRACTICE GUIDELINE FOR THE MANAGEMENT OF LUPUS NEPHRITIS (**[link](https://kdigo.org/wp-content/uploads/2024/01/KDIGO-2024-Lupus-Nephritis-Guideline.pdf)**)